A inteligência primordial: Intuição

“A intuição é o conjunto de conhecimentos próprios adquiridos ao largo das múltiplas experiências do Ser, que lhe aflora à mente espontaneamente, sem necessidade de ninguém lhe transmitir nada, pois que tais conhecimentos pertencem ao seu universo peculiar e subjetivo de conhecimentos. 1. Contemplação pela qual se atinge em toda a sua plenitude uma verdade de ordem diversa daquelas que se atingem por meio da razão ou do conhecimento discursivo ou analítico. 2 Ato de ver, perceber, discernir de forma clara ou imediata. 3. Ato ou capacidade de pressentir. 4. Percepção na sua plenitude de uma verdade que normalmente não se chega por meio da razão ou do conhecimento discursivo ou analítico.”

Existem dois mundos o físico e um não-físico. No meio físico adquirimos a sabedoria através da inteligência formada por nossa razão. Mas dentro de nossa mente, no corpo não-físico adquirimos sabedoria usando outro tipo de inteligência que chamamos de intuição. A intuição é uma inteligência que funciona através de associações de informações que captamos com nossos sentidos, com o já existente conteúdo formado em nossa consciência e nosso inconsciente.
Essas associações são por meio da sincronicidade.

Diferente da inteligência racional, que é absorvida de fora para dentro, a intuição nos fornece um conhecimento ou sabedoria mais amplo, por ser de dentro para fora, vivenciado nos sentimentos, por isso nosso aprendizado é mais consistente.

A sabedoria que adquirimos através da intuição, se concentra em nossas emoções, e não na razão, ela expande nossa consciência, e expandindo nossa consciência compreendemos melhor as manifestações do inconsciente.

Nossa percepção é ampliada, nossos sentidos de observação, e isso é fundamental num processo de Individuação.

Só a Individuação é capaz de tornar um indivíduo seguro de si mesmo, feliz, e capaz de amar, no sentido maior da existência.

A intuição é como um estalo e uma luz que acende, é a sincronicidade em ação nos despertando para a magia da vida. Sentimos uma emoção diferente, emolpgamos, temos como um impulso revelador,  como um instante de intensa paixão numa descoberta.

A verdadeira sabedoria não é aquela produto da razão analítica, a inteligência, mas a sapiência que adquirimos experiencialmente, intuitivamente.

O verdadeiro Instinto Humano: a Sincronicidade, um instinto para o amor

O ser humano, na verdade, não possui instinto para generosidade, nem para a solidariedade. O ser Humano não é como os morcegos Hematófagos, que são “generosos”. O ser humano tem sim um instinto para o Amor, para a sincronicidade, com o outro, com o meio que vive. Todo homem e mulher busca instintivamente o amor e o ser amado, se identificar com pessoas, grupos. Isso é a sincronicidade. Pelo desejo de ser amado, que pode ser traduzido também , como uma vontade de pertencimento a um lugar ou comunidade. Veja que quando me refiro ao amor, não é no seu sentido romântico, mas me refiro ao amor no sentido da sua natureza energética, que influencia, e é determinante na condução do destino de todas as coisas.

 O instinto do Amor é o que nos faz ser generosos e solidários uns com os outros. Comparando aos morcegos, o morcego se não é alimentado por um amigo morcego, que foi alimentado por ele, ele esquece o amigo. Para nós humanos isso é como guardar rancor. O rancor para o ser humano gera sofrimento e o sofrimento polui nossa razão e o nosso instinto para o Amor verdadeiro. O ser humano que olha o sexo oposto dominado pela sua natureza instintiva, está alimentando a paixão e o seu desejo sexual puramente, e assim tornando-se novamente um primitivo. Talvez até os macacos já saibam amar, mais do que nós humanos.

A Mitologia grega, no conto de Apuleio, observamos no mito de Eros e Psique: Eros Ama a Psique e deixa de ser amante de Afrodite. A Psique se une a Eros, o único Deus do amor. Ama-o no escuro, no inconsciente. Depois de perder esse amor inconsciente, do “imaginário”, querendo avançar no tempo de Eros,  vendo sua face antes do tempo pedido por ele, a Psique é abandonada por Eros, e sofre, tornando-se humilde e indo ao encontro de Afrodite, a Deusa do sexo e da luxúria. Por querer o amor puro do inconsciente, de Eros, Psique se entrega a servidão. E por servir, entregando-se às suas tarefas,   ganha novamente o amor de Eros.  Eros se une a Psique pela ordem de Zeus, contrariando Afrodite.  A Psique ama puramente o Amor, e do casamento de Psique com Eros,  é que nasce a Volúpia, o Prazer.

O verdadeiro amor é o amor ao serviço, e ao servir, isso satisfaz o nossa ânsia causada pela sincronicidade. Será que nossa Psique é igual a de um primata? Não, não é.  Nossa Psique e seu instinto maior é o instinto de ser útil ao outro, ao universo, porque isso é o Amor. Por isso, nos tornamos infelizes com a solidão e ociosidade, gerando depressão. A depressão é uma doença causada pelo Tempo, está ligada a ansiedade. Ou por querer avançar no tempo do outro, ou por desperdício do nosso próprio Tempo,  nos amores projetados nos outros e nas coisas materiais. A depressão é o vazio do Tempo consumido, devorado pela nossa falta de “visão”, pela falta de sentido, pela falta do verdadeiro sentido do amor inconsciente.   A depressão é querer avançar no Tempo com nossa própria vontade, mas sem saber o que no fundo queremos, quem somos, ou por não agir de forma sincrônica com as forças ou leis da natureza. Nossa vontade inconsciente é o amor, é a força da sincronicidade. Esse é um poder em nosso instinto. Ele que nos permite ouvir o outro e servi-lo da melhor forma, obedecendo ao Tempo, nosso e do outro. Essa sincronicidade de Tempo,  é que gera a sincronicidade no Amor, e de espaço. É o Tempo que nos liga pela afinidade, por nos identificarmos com o outro, por nos sentirmos semelhantes, por querermos compartilha, conviver, em compaixão. E é preciso antes um autoconhecimento, ou uma segurança do si mesmo. Avançar no tempo, no seu ou do outro, sem observar as mensagens que o outro nos dá de sincronia, é caminhar, possivelmente para um sofrimento. E quantos sofrimentos como este acumulamos durante nossa vida? Muitos! E o sofrimento nos polui, polui nosso ego, polui nossa razão, polui nossa visão. O remédio para isso é amar todos igualmente. Doar tempo ao outro, para ouvi-lo, observá-lo, ouvir o que ele diz sobre si mesmo, o que pensa, como sente, alimentando-se nos pontos sincrônicos, que formam a imagem do outro, como seu amor realmente, assim alimentando a libido, a paixão, o desejo, e o prazer, dando sentido e direção corretos para cada demanda. Mas, em virtude da carência de tempo, cria-se a natureza apaixonada do amor, que atropela o tempo, e ignora o movimento de sincronicidade.

A pedra filosofal

Os alquimistas sempre buscaram a pedra filosofal. Segundo a alquimia a pedra filosofal é um elemento capaz de transmutar qualquer metal em ouro e capaz de aproximar o homem de Deus. Na alquimia chinesa existe o Tao, que se equivale à pedra filosofal na alquimia ocidental.

A pedra filosofal é a síntese do espírito puro do céu, a união de todos os espíritos de luz no amor cósmico, e que estão ligados pelo princípio alquímico: semelhante atrai semelhante.

É um inconsciente condensado no amor cósmico, resultando a pureza de todos os sentimentos, ou padrões do inconsciente, criando uma consciência, também unida,  no mesmo amor, em sincronicidade com o poder a luz. Essa energia atrai seu par semelhante, formando a unidade, a pedra filosofal.

A energia de contração do universo é uma energia que acontece, assim como de expansão. E essa energia também acontece conosco, porque é um movimento cósmico que influencia todos, e esse movimento atua unindo e separando conteúdos. Dessa forma, entendo que estando um corpo, ou célula, totalizada em si mesma, a tendência de unir passará então a atuar de forma a achar seu par dual, se não é mais em si mesmo, então busca fora de si, ou seja, outro corpo ou célula semelhante, para continuar unindo. A força do Uno é para unir e voltar ao seu estado original de unidade.

Uma alma individualizada pelo amor puro ou cósmico, entra em sincronicidade com seu próprio espírito,  e assim atrai o que é semelhante a si mesmo.  A alma totalizada no espírito e em sincronicidade com seu par oposto e complementar, outro espírito já invidualizado em si mesmo, forma a unidade, o yin-yang. E este é o ponto final de uma individuação, quando duas almas semelhantes se unem nesse amor cósmico. O que torna dois indivíduos ou duas almas, em um espírito eterno.

A pedra tem o tempo e o poder de transformar, criar e recriar realidades no espaço.

sinapse da sincronicidade: Pelo instinto do amor

A sincronicidade é a união de pontos conscientes e inconscientes. Tanto no inconsciente individual, quanto no inconsciente coletivo. Depois da individuação completa, formando um indivíduo totalizado, a percepção da consciência se expande ainda mais alcançando pontos no inconsciente coletivo.
A sincronicidade acontece quando sua consciência percebe o meio físico, através do sentido, e se liga a pontos no seu inconsciente. Essa união vai formando como pixels da imagem que você entende como coincidência. A sincronicidade é afetada pela confusão dos seus sentimentos ou pela forma como você vê esses sentimentos.  Porque os sentimentos são o registro na memória do inconsciente, suas imagens. Só percebemos a sincronicidade quando alimentamos em nós próprios o amor. Sem alimentar este amor puro, nos tornamos incapazes de perceber as relações da sincronicidade . É o amor puro, inconsciente,  que torna possível a nossa percepção, pelos cinco sentidos, da sincronicidade entre o individuo e outro, entre o indivíduo e o meio externo. Quando alimentamos esse amor, conseguimos perceber conscientemente todos os outros nossos sentimentos, isso nos ajuda a saber o que queremos e o que não queremos. E assim, mantemos a ligação total do nosso inconsciente. Essa ligação total do inconsciente expande nossa consciência, nosso campo de visão e a percepção dos nossos cinco sentidos.

sinapse Tempo e Espaço

O espaço não existe sem o tempo. Porque o tempo é determinado pelo inconsciente, o espaço para se formar precisa do inconsciente. E o inconsciente precisa do espaço, para se manter nutrido.
A relação tempo e espaço é necessária para que ambos existam.  Sem o tempo o espaço não existe. Sem o espaço o tempo devoraria a si próprio e deixaria de existir.

Sinapse do Tempo

O Tempo é uma massa infinita inconsciente. A realidade do tempo é o que percebo com meus cinco sentidos unidos a pontos nessa massa inconsciente. Quando desperto, os pontos conscientes colorem a realidade utilizando os pontos negros do inconsciente e os pontos brancos percebidos na luz da consciência.

um parêntese para a sincronicidade

Não existe nada mais belo do que a sincronicidade. Só existem duas imagens tão belas quanto, Deus e o Amor. E tudo porque Deus e o Amor é a mais pura, pura, sincronicidade.

Se imaginarmos que tudo no universo é causa/efeito, ação/reação, onde a causa ou a ação implica na junção de energia do pensar e sentir, a sincronicidade é como se Deus colocasse setas no seu caminho apontando seu destino. E apontam porque ele já sabe, o que você internamente descobriu no seu desejo, agora, percebido conscientemente.

A sincronicidade é quando você deseja apaixonadamente (sentindo e pensando) algo e o universo, fora da sua própria consciência, responde no mesmo sentido do seu desejo.

Essa sincronia, do seu desejo consciente, com o desejo do inconsciente, reúne pontos que trilham um caminho para tornar a realidade. Quando essa realidade se forma no profundo da sua alma, ela se concretiza no espaço físico, porque seu desejo interno é energia pura de Deus, a energia do pensamento e do sentimento, do seu inconsciente e da sua consciência. E por ser pura, é uma energia criadora. Quando as duas se reúnem , concretiza-se o seu desejo e do universo, criando e realizando o espaço físico, ou seja, concretizando um sonho.
As vezes nós desejamos algo, pensamos e sentimos isso, mas não existe a sincronicidade, poderiamos chamar de coincidências. Isso acontece porque o seu pensamento se forma sem profundidade, ou sem o seu sentido interno, é um pensamento proveniente de uma imagem de aparência, uma projeção, um reflexo. Esse pensamento de projeção aciona o sentimento também de projeção e portanto a energia gerada não é totalmente pura, sendo assim, não tem força suficiente para criar uma realidade. Porque também no seu interior não é exatamente o que você deseja.

Para haver sincronicidade é necessário o autoconhecimento, saber claramente o que se deseja, e esse desejo deve ser um desejo criado pela consciência e pelo inconsciente para ter efeito no universo.

Os sonhos são como um diálogo entre a consciência e o inconsciente, para um acordo, um desejo, o seu desejo interno, o seu significado e sentido na vida, ou a vontade de todas as suas partes.  Quando se chega a esse acordo, o sonho se realiza. Enquanto não se chega a esse acordo, os sonhos continuam a reunir ambas as partes para se chegar no seu desejo interno, o desejo do eu, que será sempre o mesmo desejo do universo, ou o desejo de Deus, como queiram chamar.

Os sonhos acontecem para reunir partes, e também para as partes se reunirem, em sincronicidade com um desejo interno puramente realizador. Este desejo que será sempre o mesmo desejo do universo, do Deus, do ser superior…porque se você chegou ao acordo desse desejo apaixonado internamente, é porque certamente, você chegou ao desejo do universo.

A sincronicidade é o amor, é Deus, e ambos são a sincronicidade pura. A sincronicidade é a junção de todos os sentidos ou desejos, conscientes e inconscientes, numa única semente, com potencial criador e realizador de espaço. É a pedra que será lançada na água para a criação da realidade.

Assim, como eu nasci do desejo do meu pai pela minha mãe e do desejo de minha mãe pelo meu pai. Ou seja,  do amor gerou o desejo, depois vem o ato sexual gerando a semente . A sincronicidade (o amor) gera o sonho que é o desejo do consciente com o inconsciente,  e dele nasce a  pedra com potencial puro e criador, o meu eu. O sexo, representa a energia compartilhada e que potencializa o desejo.

Mas isso tudo não é alcançável sem autoconhecimento. Autoconhecimento é a ferramenta inicial para se construir um sonho. Assim como os sonhos são ferramentas para se autoconhecer.