O verdadeiro Instinto Humano: a Sincronicidade, um instinto para o amor

O ser humano, na verdade, não possui instinto para generosidade, nem para a solidariedade. O ser Humano não é como os morcegos Hematófagos, que são “generosos”. O ser humano tem sim um instinto para o Amor, para a sincronicidade, com o outro, com o meio que vive. Todo homem e mulher busca instintivamente o amor e o ser amado, se identificar com pessoas, grupos. Isso é a sincronicidade. Pelo desejo de ser amado, que pode ser traduzido também , como uma vontade de pertencimento a um lugar ou comunidade. Veja que quando me refiro ao amor, não é no seu sentido romântico, mas me refiro ao amor no sentido da sua natureza energética, que influencia, e é determinante na condução do destino de todas as coisas.

 O instinto do Amor é o que nos faz ser generosos e solidários uns com os outros. Comparando aos morcegos, o morcego se não é alimentado por um amigo morcego, que foi alimentado por ele, ele esquece o amigo. Para nós humanos isso é como guardar rancor. O rancor para o ser humano gera sofrimento e o sofrimento polui nossa razão e o nosso instinto para o Amor verdadeiro. O ser humano que olha o sexo oposto dominado pela sua natureza instintiva, está alimentando a paixão e o seu desejo sexual puramente, e assim tornando-se novamente um primitivo. Talvez até os macacos já saibam amar, mais do que nós humanos.

A Mitologia grega, no conto de Apuleio, observamos no mito de Eros e Psique: Eros Ama a Psique e deixa de ser amante de Afrodite. A Psique se une a Eros, o único Deus do amor. Ama-o no escuro, no inconsciente. Depois de perder esse amor inconsciente, do “imaginário”, querendo avançar no tempo de Eros,  vendo sua face antes do tempo pedido por ele, a Psique é abandonada por Eros, e sofre, tornando-se humilde e indo ao encontro de Afrodite, a Deusa do sexo e da luxúria. Por querer o amor puro do inconsciente, de Eros, Psique se entrega a servidão. E por servir, entregando-se às suas tarefas,   ganha novamente o amor de Eros.  Eros se une a Psique pela ordem de Zeus, contrariando Afrodite.  A Psique ama puramente o Amor, e do casamento de Psique com Eros,  é que nasce a Volúpia, o Prazer.

O verdadeiro amor é o amor ao serviço, e ao servir, isso satisfaz o nossa ânsia causada pela sincronicidade. Será que nossa Psique é igual a de um primata? Não, não é.  Nossa Psique e seu instinto maior é o instinto de ser útil ao outro, ao universo, porque isso é o Amor. Por isso, nos tornamos infelizes com a solidão e ociosidade, gerando depressão. A depressão é uma doença causada pelo Tempo, está ligada a ansiedade. Ou por querer avançar no tempo do outro, ou por desperdício do nosso próprio Tempo,  nos amores projetados nos outros e nas coisas materiais. A depressão é o vazio do Tempo consumido, devorado pela nossa falta de “visão”, pela falta de sentido, pela falta do verdadeiro sentido do amor inconsciente.   A depressão é querer avançar no Tempo com nossa própria vontade, mas sem saber o que no fundo queremos, quem somos, ou por não agir de forma sincrônica com as forças ou leis da natureza. Nossa vontade inconsciente é o amor, é a força da sincronicidade. Esse é um poder em nosso instinto. Ele que nos permite ouvir o outro e servi-lo da melhor forma, obedecendo ao Tempo, nosso e do outro. Essa sincronicidade de Tempo,  é que gera a sincronicidade no Amor, e de espaço. É o Tempo que nos liga pela afinidade, por nos identificarmos com o outro, por nos sentirmos semelhantes, por querermos compartilha, conviver, em compaixão. E é preciso antes um autoconhecimento, ou uma segurança do si mesmo. Avançar no tempo, no seu ou do outro, sem observar as mensagens que o outro nos dá de sincronia, é caminhar, possivelmente para um sofrimento. E quantos sofrimentos como este acumulamos durante nossa vida? Muitos! E o sofrimento nos polui, polui nosso ego, polui nossa razão, polui nossa visão. O remédio para isso é amar todos igualmente. Doar tempo ao outro, para ouvi-lo, observá-lo, ouvir o que ele diz sobre si mesmo, o que pensa, como sente, alimentando-se nos pontos sincrônicos, que formam a imagem do outro, como seu amor realmente, assim alimentando a libido, a paixão, o desejo, e o prazer, dando sentido e direção corretos para cada demanda. Mas, em virtude da carência de tempo, cria-se a natureza apaixonada do amor, que atropela o tempo, e ignora o movimento de sincronicidade.

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2 pensamentos sobre “O verdadeiro Instinto Humano: a Sincronicidade, um instinto para o amor

  1. Que texto fabuloso. Hoje que estou numa fase de autoconhecimento, ampliando minha consciência existencial, vejo o quanto de sofrimento trazemos, inconscientemente, para nossas vidas, pelo desconhecimento ou não entendimento do real significado do amor, principalmente o amor próprio, tudo começar pelo auto amor. Jesus disse: “Amai vossos irmãos como a ti mesmo”. Quanta sabedoria nessa frase, quem não sabe se amar não irá conseguir amar ao outro, mesmo que queira, mesmo que tente, pois é uma questão de lógica cartesiana.

    • Isso mesmo, Sandra! Vejo que o bichinho do autoconhecimento lhe mordeu, que bom! Percebe-se quando a gente começa a se questionar sobre o real significado das coisas, e saímos do escuro, onde ficamos apenas repetindo crenças de um coletivo, ou nossas mesmo, as vezes equivocadas, sem buscar o verdadeiro significado daquilo que dizem ou sentem, ou seja, tentando buscar o conteúdo no recipiente da palavra, o valor simbólico e substancial do que representa, como objeto de observação. Tudo diz respeito a nós mesmos, tudo está em nós mesmos e precisamos desvelar a verdade para a consciência, e dessa forma enxergar a nossa verdade. Essa frase de Jesus, que você citou, deve ser compreendida no sentido inverso, ou seja, amo a mim mesmo por isso consigo amar o outro. Ou, você só pode amar o outro, como ama a si mesmo. O amor é um espelho da verdade em nós. Desculpe pela demora em responder, mas não tinha visto seu comentário, perdão pela falta. E Obrigada pelo comentário, apareça quando quiser.

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