A experiência do Processo de Individuação

O processo de Individuação poderia ser como um Tribunal Arbitral,  onde você reúne todas as partes para entrarem num acordo de pensamento, sentimento e vontade.  Por isso, é sempre bom ter um Juiz ou árbitro ou conciliador para estes encontros, as vezes choque, de suas partes internas.

Não sei quando meu processo de individuação começou, porque ele na verdade foi uma consequência da minha vida, da minha visão e conclusões sobre o meu universo, foi algo natural.   Sonhadora sempre fui, mas creio que a escrita foi meu árbitro. Com ela entendia meus sentimentos, ouvia minhas partes, concluía, fixava as imagens e minhas verdades.
Depois de muitas e muitas linhas, descobri que Deus e o Amor deveriam morar numa mesma casa. Se Deus existia o meu amor de menina sonhadora: o Amor puro, romântico, como das cinderelas, deveria existir também, afinal como se pode sentir algo que não existe?  Então, saí seguindo este amor e fui construindo a imagem desse Amor puro. De Amor de cinderela,  se expandiu,  virou amor platônico, de Amor platônico virou um Amor Universal, depois percebi que era o mesmo amor cósmico, e então o descobri como Amor inconsciente, ou o Amor Altruísta. Fui seguindo o rastro desse amor até chegar nas estrelas,  e perceber se o Sol é a maior das estrelas, uma energia tão forte e luminosa,  que arde como fogo,  isso deveria ser o amor,  uma energia, seguindo esse pensamento cruzei com Deus. Fui guiando-me  pelas palavras, alguns poucos livros, minha própria observação e escrita, que teimavam querer virar poesia e por esse caminho acabaram virando um mundo de metáforas, passei a construir imagens com as palavras.  Foi assim, solitária e no escuro, que fui colocando pedrinhas pelo caminho.  Nesse caminho encontrei muitas luzes que me encheram os olhos de clareza, pessoas, livros, a sincroncidade que trabalhava o tempo todo e quanto mais eu chegava perto do Sol, mais a sincronicidade me saltava aos olhos, como pequenas estrelinhas.

Não sabia o que acontecia, não sabia nada sobre individuação ou sincronicidade, mas sempre segui meus sentimentos e o acordo de minhas partes, e  minha intuição pela busca do Deus Amor. No caminho a sincronicidade me ajudou a encontrar uma pessoa que me trouxe à consciência tudo que estava acontecendo comigo.  Enfim, comecei a entender melhor a mim mesmo, saber o que me acontecia, fiquei feliz em saber que minhas crenças tinham fundamento, que minha experimentação da vida não era algo totalmente estranha.

Acho que a individuação nunca acaba,  quanto mais longe se chega, mais distante se está  do fim, pois o universo é infinito, para dentro e para fora, e ambos se cruzam. Só Deus, uma mente muito brilhante, para pensar algo tão funcionalmente perfeito. Tudo na natureza, desde a menor até a maior das naturezas, tudo é sincrônico. O universo e o ser humano é como o Tribunal, dentro e fora, e  a sincronicidade é o acordo das partes.

Eu nunca interpretei meus sonhos, nem sabia que sonhos se interpretavam, mas acho que sempre sonhei acordada, meu pensamento sempre visitou outro mundo, sempre me chamaram de sonhadora ou esses rótulos que criam para os incrompreendidos. Mas os sonhos tem uma mágica, sonhar já é um sonho. Vivenciar outro universo, entrar em outro mundo criado pela sua mente, sentir no corpo reações a imagens que só estão lá dentro de você mesmo, isso realmente já é uma experiência incrível. E se os sonhos vêm de nossa mente, a mesma mente que pensa na luz do dia, que toma decisões, usa a razão, por que ignorar algo que é inerente a ela? por que ignorar o papel do sonho?  Por que não observar estes fenômenos na mente? Tudo que experimentamos dentro de nossa mente vira realidade fora. Portanto,  o mundo que criamos é feito também de sonhos. E sempre, as mais belas obras, nasceram de um sonho. Acredito que Deus está dormindo e nos sonhando.

A minha experiência com o processo de individuação, como chamou Jung, foi uma busca pelos meus mais valiosos sentimentos, a busca pelo amor que eu acreditava, e fui caminhando em busca dele, até amar com toda minha alma o próprio amor,  pelo prazer que sentia  de experimentá-lo dentro de mim.  Assim, encontrei o Amor, encontrei  a mim mesmo e topei com Deus.

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Um pensamento sobre “A experiência do Processo de Individuação

  1. Que bonito Carol tudo o que colocou,

    Nao eh facil esse caminho da individuacao, ao mesmo tempo que nao temos outra alternativa, pois uma vez aceito, tem sempre que continuar, sempre ir adiante, doa o que doer e, mais parece um processo do qual nao se tem controle algum… tudo fica a cargo do proprio Deus interior.

    Tambem nao sei exatamente quando se iniciou meu processo, mas ultimamente tenho encontrado em Jung uma grande diretriz, como um mapa, onde posso me localizar nesse processo, bem como integrar as partes do inconsciente que me cabem.

    … e como voce disse, eh um processo sem fim (quem sabe, somente mais uma limitacao achar :”sem fim”), enfim, vamos continuar sempre seguindo nossa estrela maior, nossa potencia, mas se Ela(a potencia) achar apropriado, pode encerrar essa busca aqui mesmo e agora…

    Abs
    Adi

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