Individuação e o Mito Eros e Psique – parte II

As tarefas de Psique são etapas equivalentes aos processos alquímicos: O escurecimento, a brancura, o amarelo e o vermelho. Psique recebe estas 4 tarefas para que ela se torne semelhante a Eros, e finalizando o casamento, a união no Tao. Como o yin e o yang. Ambos, tanto Eros como Psique, durante as 4 tarefas de Psique, estão em individuação. Eros para trazer o amor inconsciente a um amor consciente, quando ele decide casar com Psique, fere a si mesmo, e ama Psique. E Psique depois de experimentar o prazer, e descobrir seus desejos,  vive as quatro etapas que a farão conhecer a si mesma, individualizando-se em na relação com o amor  de Eros.
Após a separação de Eros, e do sofrimento de Psique pelo amor perdido, ela procura Afrodite que lhe passa as 4 tarefas:
A primeira tarefa é separar, analisar e dividir os grãos, as sementes, esta primeira tarefa já explica a própria separação, dos pensamentos e dos sentimentos da Própria Psique em relação a Eros. As formigas simbolizam o trabalho árduo, pois Psique tomada por sua dor, e desejo por Eros, não consegue enxergar a si mesma, sendo ela mesma a imagem e semelhança de Eros, por isso eles precisam se separar.  Essa separação também representa a separação de nós e do outro, do que é nosso sentimento e pensamento, nossa vontade, sem projeções. Ao final de cada tarefa Psique reafirma-se em seu desejo por Eros, seu amor por ele, como a coagulando, repetindo, em si mesmo sua imagem (o modelo, ou padrão).
A ajuda que Psique sempre recebe nas suas tarefas pela natureza é a luz, a sincronicidade que auxilia Psique até o seu reencontro com o amor. Pois o Amor é Deus e Deus é a natureza e tudo é energia e movimento. Por isso a natureza sempre socorre Psique.
A segunda tarefa psique tem que colher fios de lãs de ouro de ovelhas selvagens, mais uma vez a natureza ajuda Psique a executar a tarefa. A tarefa, a lã,  a brancura, a pureza, o Amor da criança. Simboliza o resgate de seu amor próprio.
A terceira tarefa seria buscar no alto de uma montanha vigiada por um dragão um pouco de uma água escura, mais uma vez Psique é auxiliada pela natureza. A água escura é o inconsciente coletivo, a última camada que envolve seu si mesmo, seu self.  A águia que ajuda psique no cumprimento de sua tarefa é usada como símbolo da coragem, a visão do alto, uma nova consciência,  conquistada no inconsciente coletivo, representado pela a água. Esta tarefa é a proximidade do centro, do sol, por isso simboliza o processo alquímico do amarelo.
A quarta e última tarefa, Afrodite ordena que Psique vá até o reino de Hades, pedir a Perséfone um pouco da sua beleza,  e traga  em uma caixa que não deveria ser aberta. Psique então, mais uma vez auxiliada, cumpre sua tarefa, porém ao ter a caixa nas suas mãos, a abre e entra em sono profundo. Depois, Eros já curado de sua ferida, vai ao seu encontro e pede a Zeus que lhe case com Psique. Esta tarefa representa para Psique o resgate de si mesmo, quando ela encontra seu centro. A descida ao inferno representa a morte simbólica e a transformação definitiva de Psique, é o vermelho da alquimia, tornando Psique em condições iguais e semelhantes a Eros, para que ocorra o casamento entre ambos, depois permitido por Zeus. A caixa com a beleza, é a memória aberta ao conhecimento, a sabedoria. É a beleza divina do feminino, de Afrodite, a emancipação do inconsciente através do amor, gerando uma nova consciência. Por isso, Psique é proibida de abrir a caixa, por ser humana, mas abrindo a caixa ela se torna divina. Ao abrir a caixa, o sono profundo de Psique representa sua morte de uma forma para outra. O casamento de Eros e Psique é a união entre os semelhantes, a coniunctio. Eros resurge humanizado pela consciência, e Psique totalizada pelo Espírito, pela experiência da divindade, pelo seu self. A semelhança entre os dois, os tornam almas gêmeas do conceito platônico, pois durante as etapas cada um reforça em si mesmo, a imagem do outro, no amor e no desejo pelo o outro. O Andrógino é a união entre os dois, a ligação definitiva, inseparável. A morada no Olimpo simboliza a iluminação, transcendente, altruísta, o amor divino.

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