Deus e o Self

Nós somos a imagem e semelhança de Deus, não em forma, mas em conteúdo. Se os arquétipos são formas, seus conteúdos somos nós mesmos que preenchemos com nosso potencial criativo. Deus é o Amor, o movimento da vontade, a verdade, a luz. E nós somos sua imagem e semelhança: Amor, desejo, si mesmo (self), e sincronicidade. Deus é a natureza em movimento sincrônico, impulsionado pelo amor altruísta, é a verdade revelada na luz do sol, na natureza, e  em todas as coisas. O amor que nutrimos em nós mesmos é o que nos impulsiona nesse caminho de sincronia com Deus, pois quanto mais nosso amor se iguala ao amor divino,  mais caminhamos na direção ao nosso Deus interior. O amor é uma força criativa de movimento, e antes de impulsionar o desejo sexual, impulsiona o espertar da Razão, através do amor, pois o amor é a energia de mutação, que nos faz escalar os degraus em níveis diferentes de consciência. Só encontrando nós mesmos, nosso centro, podemos conhecer nossa verdade, e então conhecer o amor verdadeiro, e assim movimentar nossos desejos de forma sincrônica: a sincronicidade da nossa verdade com a verdade superior. Dos nossos desejos com os desejos do outro, e com a vontade superior.
A libido é uma energia liberada pelo movimento dos desejos que se expressa nos instintos. O amor é quem impulsiona esta libido. Se entendemos esta pulsão imediatamente como um desejo sexual, nosso movimento se torna caótico, pois nesse sentido, fugimos de nós mesmos e tendemos a projetar no outro algo que não temos e desejamos: O self (o poder), ou seja, nós mesmos. O  self,  é a imagem e semelhança de Deus contida em nós, em nossa psique, é nele que encontramos a direção, o sentido para a realização do indivíduo, como também para seu significado existencial, pois é nesse centro onde existe o amor e o desejo em sincronia com a verdade. E é em nosso self que o amor, o desejo, e nossa verdade ganham movimento de sincronicidade com a natureza que nos abriga e nos leva ao caminho de encontro com nosso destino, o sentido maior para o qual existimos,  traz a luz da consciência superior que nos integra, nos completa existencialmente.
A psicologia e Espiritualidade se unem nesse centro, em nosso self. Se nas religiões denominam o nossa unidade divina de espírito, na psicologia poderia ser o self. A individuação é de extrema importância para o indivíduo, e ela acontece mesmo que não a procuremos, ela é uma lei de movimento de toda natureza, que acontece mesmo sem a desejarmos. A individuação é um termo para traduzir a evolução do homem rumo ao que é divino, o caminho do homem para sua posição,  seu centro, ou o encontro  com sua essência divina e espiritual.

Se não buscamos a nós mesmos ficamos estagnados no Tempo, não caminhamos e tendemos a ser tragados pelo caos. Por isso, é  neste centro onde todo o sentido se faz e onde toda nossa vida faz sentido, nele se encontra a verdade,  toda a verdade do nosso ser e existir.
Se no princípio do universo era o caos, o vazio, a escuridão, o princípio em nós é este mesmo vazio, este caos, que só conseguimos ordenar, dando movimento  sincrônico das nossas vontades e depois delas com a natureza fora de nós mesmos e essa ordem é condicionada à forma que damos ao amor no nosso inconsciente.
A libido é um canal de energia, energia esta que move nossos desejos para aquilo que nos torna plenos, nos move no tempo e no espaço. Mover-se antecipadamente no espaço, sem esperar o Tempo da compreensão, do sentido desse movimento, dando a ele um sentido imediato de caráter sexual, é atropelar a si mesmo, é fugir da verdade que está querendo se revelar em nossa consciência. O amor que impulsiona esta libido nos desperta primeiramente uma vontade de movimento, em essência é o movimento por instinto, a resultante de uma pulsão. O desejo sexual pode ser, muitas vezes, um desejo de outra ordem, pode ser um impulso de intuição, acionado pelos padrões do inconsciente, pode ser um desejo para o conhecimento de si mesmo, pode ser para revelar outros significados, e não somente para uma satisfação puramente sexual, pode ser uma pulsão para a racionalidade, justamente o que nos diferencia dos animais, na energia do instinto. Compreender esta pulsão do desejo, da libido, imediatamente como sexual é perder o sentido do movimento, que pode ser apenas  para atender ao instinto de movimento em direção ao seu centro, pois se a individuação é uma lei natural de todo indivíduo, o amor em si mesmo é que desperta o nosso instinto de movimento em direção ao self.  Os encontros entre almas são para a troca, o aprendizado e evolução, o amadurecimento do amor no seu sentido maior, nos dar sentido e direção , e totalidade.  O Self é um arquétipo e sua forma é a imagem e semelhança de Deus,  que é preenchido com o nosso conteúdo, nosso amor, nossa verdade;  a qualidade desse conteúdo é que nos dar sentido e significado existencial, por isso o amor que preenchemos nosso self, que nutrimos em si mesmo, será também o amor que teremos em nossa existência e que se refletirá no nosso nível de consciência.

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