A individuação

Quando um sofrimento se repete em nossa vida e despertamos em nossa consciência o não, esta negação consciente nos leva a refletir. Nesse momento entramos no mar do nosso inconsciente individual, buscando o entendimento, atravessamos a memória das nossas experiências individuais. Ao entrarmos nesse mar nos deparamos com as formas rígidas dos nossos conteúdos reprimidos, com os modelos de pai e mãe e aqueles criados ao longo da vida. Quando levamos o amor a estes conteúdos, dissolvemos estas formas rígidas compreendendo a verdade sobre eles, transformando essa solidez das formas em conteúdos de luz, o amor, e este amor que vamos preenchendo em nossa consciência é o que passa a despertar nossa libido para continuarmos a navegar, é o amor que  impulsiona a libido.
O amor que preenchemos em nossa consciência após a dissolução de nossos conteúdos no inconsciente individual, é a luz que passa a ser o guia, o vento que sopra, que impulsiona nossos desejos para continuarmos a navegar.  Se nesse momento traduzimos este impulso na libido como um desejo puramente sexual, saimos a navegar no mar em busca de outro que nos complete. Tendemos a projetar no outro nós mesmos.
Se entendemos esta pulsão na libido pelo amor como um simples impulso ao movimento continuamos a navegar pelo mar em busca de nós mesmos, do nosso centro. Nesse momento rompemos a barreira do inconsciente individual e passamos ao inconsciente coletivo, entramos em alto mar.
Nosso amor, o vento que sopra as velas do barco nos leva a viajar pelo mar dos arquétipos, as formas rígidas não mais individuais, mas aquelas repetidas ao longo da história da humanidade, no Tempo. No mar do inconsciente coletivo nos deparamos com estes arquétipos, e o conteúdo, o amor que temos em nossa consciência é que irá preencher estas formas, dando sentido a nós mesmos, nossa verdade, nos levando de encontro ao nosso self. Nesse processo a sincronicidade age como pontos de luz, a verdade que se mostra fora de nós em comunhão com nossa interior revelando-se e a nós mesmos.
No inconsciente coletivo os arquétipos que se repetem são formas de uma verdade oculta, que ao alinharmos com a nossa própria, seguimos a rota em direção ao nosso centro. Assim como em nosso inconsciente individual nos deparamos com formas rígidas da negação, do sofrimento repetido em nossa vida, no inconsciente coletivo é o contrário, nos deparamos com os arquétipos da afirmação, a repetição do sim. Da verdade que se oculta por traz deles.
Ao continuarmos navegando pulsionados pelo amor, traduzindo nossos desejos como um estímulo ao movimento, caminhamos na rota da verdade oculta desses arquétipos. E ao preenchermos esses arquétipos com o amor que nos impulsiona, o nosso amor consciente, dissolvemos estas formas traduzindo sempre em uma verdade que nos orientará até a nossa própria verdade, nosso centro.
Quando nos aproximamos dos arquétipos do self, do nosso centro, o amor leva a dissolução dos opostos, a uma comunhão deles, de forma a unir e haarmonizar num único sentido. O amor que se chega ao nosso self no final desta viagem mar a dentro nos revela nós mesmos, revela nossa alma de forma clara, consciente, e assim nos sentimos completos de forma que podemos enxergar a si mesmo e o outro que nos completará. A individuação continua, agora não mais para nos completar em si mesmo, mas para achar esse complemento no outro, em outra alma. Daí se vem o conceito Platônico das almas gêmeas. A sincronicidade continua agindo de forma a iluminar e atrair sempre aquilo que nos completa, essa sincronicidade nos  leva a uma visão clara do amor, consciente, da verdade em nós, da certeza em si mesmo sobre quem amamos e desejamos, daquele outro indivíduo que nos completa.
A individuação é como a gente evolui, até onde queremos ir navegando nesse mar, até onde precisamos fazer sentido. Se quando amamos, desejamos alguém que nos complete, precisamos também nos sentir completos, e isso significa sentirmos que nossa vida tem um sentido, e se sentimos isso dentro de nós mesmos, conhecer esse sentido é trazer para a consciência a nossa verdade existencial, esta que se cria ao navegarmos nesse mar preenchendo cada forma com o amor consciente, com o pensamento sobre o amor. Assim damos sentido de forma coletiva ao amor, levamos a luz da verdade sobre tudo e  que se reflete em nós como indivíduos. Assim, tornamos um ser individual, único, integrado ao todo, pois Deus é a unidade, este é o sentido do Tao.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s