O Inconsciente individual

O inconsciente individual ao contrário do que Freud chamou de “quarto de despejo”, na verdade é o nosso “Quarto escuro”. Ao contrário do que achava Freud, nele não se guarda apenas os conteúdos reprimidos do desejo sexual, no inconsciente individual se guarda referências individuais que se ocultam, e sim, também conteúdos reprimidos, porém não só do desejo sexual, mas do desejo de nos sentirmos completos, o desejo da totalidade, que é refletido numa busca constante que todos os indiviíduos apresentam. Talvez para fugir do tédio ou por insatisfação, mas a verdade é que essa energia que nos move em busca de novos horizontes, vem da energia do amor, e é disso que somos feito, de energia, e esta é a libido, que jamais  poderia ser traduzida por apenas desejo sexual.
O amor é um sentimento que nos faz sentir plenos, quando amamos alguém, sempre existe por traz do desejo sexual um desejo de se completar no outro, de encontrar nossa “cara metade”, nossa alma gêmea. Esse desejo que é despertado pelo amor,  provém do estímulo do amor na libido. O amor é um sentimento de integração, de atração e de união, quando traduzido como puramente sexual, afeta nosso instinto de movimento para a totalidade. Nossa percepção vai se multilando, e nos afastamos cada vez mais de nós mesmos, da nossa totalidade, do self. Deus é Uno, a união que é ocasionada pelo amor, que une, e que nos faz sentir parte da natureza, parte do todo, que nos faz amar ao outro como a si mesmo, e nos torna a unidade. O Self é nosso Deus interior, o amor em si mesmo, é o amor que nos dar a totalidade e a unidade da psique. O amor nos faz sentir parte de um todo, mas também nos individualiza, quando buscamos no outro o amor que sentimos em si mesmo, somos capazes de nos diferenciar do outro pela consciência. O conteúdo do inconsciente individual guarda nossa consciência e nossa consciência está diretamente ligada a forma que compreendemos o amor em si mesmo.  Enquanto não compreendemos o amor em si mesmo, nos sentiremos sempre como algo separado do outro, como algo separado de Deus e da natureza. O inconsciente coletivo está em toda parte, está no outro, está na natureza, manifesta no espaço. Todas as imagens são projeções do inconsciente coletivo, a realidade é uma projeção do inconsciente coletivo e que vem se projetando no espaço desde o início da criação. Em nosso inconsciente individual carregamos a nossa consciência sobre o amor, é esta consciência que nos individualiza e nos integra ao todo, ao Uno. Quando a libido é estimulada pelo amor, é para nos fazer mover-se em direção a uma consciência maior a respeito do espaço que traduz a expressão do amor do Uno. Quando sentimos o outro existe primeiramente um desejo de integração, de totalidade, de união, porque o outro também tem em si mesmo essa energia do amor. Se interpretamos esse estímulo na libido como desejo sexual, nos colocamos separados do outro, porque percebemos antes de tudo o físico, o material, a forma, e não o conteúdo. O conteúdo é o inconsciente, a forma a consciência. Se somos levados pelo desejo sexual jogamos no inconsciente formas, rigidez, que irão obstruir nossa percepção, nosso pensamento, nossa intuição e sensação e a compreensão de nossos sentimentos, a medida que entregamos ao outro parte de nós mesmos, e ficamos incapazes de nos diferenciar do outro individualmente.
O Inconsciente individual carrega nossa consciência a respeito do amor, essa que será a nossa forma, para o nosso conteúdo de si mesmo. A individuação nos leva ao nosso centro, ao self, onde conseguimos obter o amor em si mesmo, o amor da unidade e a forma ideal que irá nos guardar como indivíduos. O nosso ” quarto escuro”, contém nossas repressões, mas não em relação ao desejo sexual, mas na forma como compreendemos o amor, essa forma rígida que obstrui e reprime parte de nós mesmos. Se não nos sentimos parte de um Todo, se não amamos o outro como a si mesmo, ou se não amamos a si mesmos, isso é porque estamos projetando algo separado de nós, e esse algo é a parte que completa a si mesmo, é o que falta para se chegar ao self.  Por isso, o amor que desperta o desejo, tem nesse desejo, antes de mais nada, um instinto de movimento, de buscar a integração com o outro, a unidade, a totalidade. Que não se conquista apenas sexualmente, mas se compreendendo ou querendo compreender o outro na forma e no seu conteúdo. Abstrair da sexualidade e ver antes de mais nada que o outro, independente de ser mulher ou homem, atraente ou não, é alguém que também é parte de si mesmo. O desejo sexual deve obedecer ao Tempo, ao inconsciente , a individuação de cada um, ao self de cada um. Por isso a individuação é importante, pois só ela nos torna capazes de conhecer a si mesmos, e assim ver no sexo oposto algo que nos complementa, despertando então de maneira consciente, o desejo sexual.

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