O Andrógino e as Almas gêmeas

No Banquete de Platão, conta-se como se criou os sexos: Andros, Gynos e o Androgyno. Andros eram compostos por duas cabeças masculinas, Gynos por duas femininas e o Androgyno por metade masculina e metade feminina. É desse mito escrito por Platão que se tem a criação das almas gêmeas. O Androgino foi  separado por Zeus, e por isso as metades buscam sempre uma a outra.
A história do mito criada por Platão fala de nós mesmos, homens e mulheres, que sempre buscamos nossa outra cara-metade. O que é importante saber, é que o mito conta uma verdade de forma alegórica. Todos temos uma alma gêmea, isso é fato, mas como encontrar essa alma gêmea? Quando Zeus dividiu o Andrógino em duas metades, colocando seus orgãos sexuais para a frente para que percebessem o desejo, os seus desejos de se unirem novamente, isso não acontece na forma de um desejo puramente sexual. É o desejo de amar e ser amado por alguém que nos complete. Antes de podermos nos completar no outro, precisamos também nos sentirmos completos, pois se não temos uma totalidade em nós mesmos, sempre iremos projetar no outro aquilo que ainda nos falta. E essa projeção nos causará dor, pois o outro certamente não irá nos completar, e mais ainda, irá nos confundir sobre nós mesmos, a medida que o desejo sexual nos une ao outro. Pois tendemos a querer agradar, a satisfazer o outro e para isso nos perdemos de nós mesmos, criando-se uma sombra sobre si mesmo.
A libido é impulsionada pelo amor, todos os instintos, até aquele de satisfazer a fome, é um impulso do amor, pois satisfazer a fome é um impulso do amor por nós mesmos, por nossa sobrevivência, todos os impulsos do amor são para nos movermos em direção àquilo que nos satisfaça como indivíduos.
E essa satisfação de forma plena nos dar a completude.
A alma humana é dotada de pensamento e sentimento, basicamente é disso que somos feitos. O sentimento, o amor, que nos move, nos impulsiona e o pensamento que se cria, a consciência, a respeito de nós mesmos, da vida, e do próprio amor.
Conhecer a si mesmo, é ter consciência do amor que sentimos em nós mesmos, a forma que damos a ele, o pensamento sobre esse amor. Se pensamos no amor como algo atraente, nossa libido irá nos impulsionar para este sentido. Se pensamos no amor como algo mais profundo, ou seja, alguém que me ame  como eu amo a mim mesmo, nosso movimento será direcionado para encontrar uma pessoa nesse sentido. Mas quando estamos seguros de si mesmos, temos nosso pensamento próprio, sem nos espelhar em ninguém, nem em pai, nem mãe, nem num modelo, mas sendo nós mesmos donos de si, tendo nossa consciência sobre si mesmo, sobre a forma como pensamos a vida, o mundo, nosso sentido, e cientes de que esse sentido é o amor que queremos, nossa libido irá nos impulsionar para um movimento de encontro com alguém que nos complete, sem que nos atropele em nossa individualidade. Mas alguém que nos complemente, e nos faça sentir amados plenamente,  exatamente como somos.
Antes de querer achar uma alma gêmea, devemos primeiramente saber se somos completos em si mesmos, primeiramente precisamos nos bastar, precisamos nos sentir seguros e independentes, e precisamos ter a consciência sobre o amor que queremos, sobre o amor que sentimos em nós, pois esta consciência é que nos fará enxergar no outro um complemento, e assim poderemos enxergar e saber quem realmente é nossa alma gêmea.
A individuação nos permite um encontro com nosso self,  a nossa totalidade em si mesmo.
O homem redondo de Platão, o Andros, o Gynos e o Andrógino são figuras representativas de tipos psíquicos em relação a sexualidade. O Andros, duas cabeças masculinas, Gynes, duas cabeças femininas, e o Andrógino uma masculina e uma feminina. Só o amor divino e altruísta une estes tipos em nós mesmos em sincronia com a nossa natureza, assim o Andros se une numa totalidade masculina, Gynos numa totalidade feminina e o Andrógino em uma totalidade híbrida, harmonizando nosso masculino e feminino. Quando não temos a compreensão do amor,  do amor em nós mesmos, temos nossa libido pulsada pelo amor de Eros, dos desejos mais primitivos, ainda imaturos, e essa imaturidade reflete nestes padrões criados alegoricamente por Platão, mas que são uma simbologia de padrões da nossa alma e humanidade.

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