Alquimia – O Princípio

No princípio de toda criação está o conteúdo, sendo este conteúdo o vazio. O vazio como no início do universo, o “caos”. Na verdade, este vazio primordial reflete Deus, pois se na cosmogonia no princípio era Deus, sem forma, o vazio absoluto, assim é em nossa alma quando nascemos.  Nascemos totalmente inconscientes, nossa alma é este vazio,  nesse estado primordial.
Na primeira lei da Tábua de Esmeralda, que fundamenta a Alquimia, diz: “O que está acima, é igual o que está abaixo, e o que está abaixo é o mesmo que está cima”. Ou seja, a alma reflete Deus no seu estado primordial, forma e conteúdo.
Do vazio, surge a luz, na psique, a consciência,  que passamos a expandir ou desenvolver condicionada ao amor que vamos adquirindo ao longo da vida, dos pais, e das pessoas que nos relacionamos. Esta consciência não é fixada ao ego, ou seja, não é o ego que dará à consciência o sentido de realidade,  a realidade também é formulada pelo inconsciente., porém é o ego que nos dá percepção da materialidade. O amor que é a luz que move o espírito, a alma,  porém a qualidade ou a consciência que vamos recebendo e adquirindo, influenciará diretamente com a nossa identificação e percepção de realidade, pois é nesta consciência onde nosso ego estará projetado e é através do ego que percebemos o meio. Ou seja, dependendo da consciência construída em nosso movimento, desde o nascimento, ou mesmo antes, é que nosso impulso receberá o sentido dado pelo amor, ou seja,  nosso sentido será uma percepção orientada pelo nosso Self, se nosso Ego estiver livre de qualquer conteúdo rígido, pesado, conteúdos esses que vamos depositando nos nosso repositórios emocionais, com as nossas experiências individuais ao longo da vida, nas relações de amor, na forma como vamos absorvendo o sofrimento, as nossas dores, frustrações, etc…
O ego surge como um reflexo do ponto do vazio, do inconsciente, um reflexo do self, porém na forma condensada, pois carrega em si o material, a substância espessa das nossas experiências.
A medida que vamos adquirindo a consciência,  recebendo a luz do amor, nos dando sentido e movimento para nossas experiências, passamos a desenvolver esta consciência. O que é sublimado pelo amor, retorna ao vazio, esta é outra lei da Tábua de Esmeralda, a Lei da adaptação.
Assim, nossa psique começa a ganhar sua forma estrutural, inconsciente-self, consciência-ego. Onde estas estruturas assemelham a células, cada uma com seu núcleo e uma sobreposta a outra, projetada. A consciência abaixo, tendo o núcleo o ego. O inconsciente acima, tendo núcleo o self. É nisto que consiste o mais importante princípio alquímico, o céu acima, reflete no inconsciente, que reflete na consciência, assim  o que está abaixo sempre refletindo o que está acima.
O processo de individuação acontece o tempo todo em nossa psique, nesse processo de mistura e separação de substâncias. Ele é de fudamental importância, pois ele é quem coloca o self como ordenador de todo nosso movimento psíquico,  dando a nossa percepção um sentido individual e também nos dando a espiritualidade,  nos colocando dentro da nossa realidade individual como um ser espiritual, e não só isso, mas também, sob o comando de nosso self, nossa alma processa, absorve e sublima de maneira espontânea, tudo que é espesso e pesado em nossa experiência.
Naquele vazio primordial do self, existe num estado latente, nesse conteúdo vazio, duas tendências opostas, duas grandezas opostas, pois a dualidade está no self, assim como Deus é a união de opostos, isso porque a unidade, o Uno, é a união de opostos, que se anulam e por isso o vazio siginifica a nulidade,  e  se usa muitas vezes  o termo “o nada”, para se referir a este vazio primordial: “No princípio era o nada…” Mas essa nulidade, para uma psique totalizada, leva o conteúdo de cada um até seu self, ou seja, quando se chega ao self, o homem que é  guiado pela sua ânima, que representa o amor, por isso ânima, porque é um arquétipo do sexo oposto, assim como o animus para a mulher, no self, se tem o arquétipo do amor, então ao final da individuação temos a  si mesmo e um arquétipo do amor. Para o homem se tem a sua individualidade masculina e o arquétipo do amor, na forma da sua ânima. Para a mulher, a mesma coisa, com seu ânimus.  Esse arquétipo do amor, é o amor divino, espiritual, que é o amor no self, por ser ele a imagem e semelhança de Deus, porém esse arquétipo, essa forma será preenchida por um conteúdo correspondente a natureza de cada um, ou por um amor de almas, ou pelo amor puramente divino, espiritual, ou ele também poderá servir como um recipiente para conteúdos espirituais dando ao indivíduo aquilo que se chama de mediunidade, isso depende da natureza de cada um, e da consciência adiquirida de cada um. Nesse estado de totalidade, tanto o homem, como a mulher podem reconhecer de forma segura, sua “cara-metade”, ou sua alma gêmea, sem projetar no outro a si mesmos, pois conhecendo totalmente a si mesmo, ou estando centrado em seu self, o indivíduo tem em si um arquétipo do amor, uma forma, que poderá ser preenchida com um conteúdo identificado no sexo oposto, reconhecendo no outro seu complemento,  seu parceiro ideal.  Conhecendo a si mesmo, duas almas podem se misturar sem se perderem em conteúdos uma da outra.
Quando vamos adquirindo consciência, este conteúdo da consciência vai se misturando ao inconsciente, em quatro estações, e por decantação e adaptação vai distribuindo cada conteúdo àquilo que lhe corresponde, porém enquanto que essa ordenação feita pelo self distribui tudo de maneira equilibrada , pelo ego vai causando o desiquilíbrio e deixando resíduos no inconsciente individual, impedindo cada vez mais a chegada ao self, ou a incidência da sua luz na consciência. O processo de individuação é este processo onde separamos para unir, ou seja, a nossa psique vai se transformando numa mistura de conteúdos, e com o processo de individuação separam-se estes conteúdos, reconhecendo suas naturezas, suas propriedades.

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