Revisitando o Mito de Eros e Psique

O Mito de Eros e Pique reflete o processo no qual o amor transcende do amor irracional, dos desejos instintivos, o mesmo da criança, para o amor Altruísta, o amor com o olhar para o outro, e não mais Narcisista. Ao mesmo tempo, por motivo dessa transformação do amor, a Psique, ou a Alma, entra também em um processo, o processo de Individuação, como chamou Carl Jung. Mas na verdade, é um processo de apuro, de refinamento da personalidade do eu, e isso acontece em virtude das transformações na energia da libido,  por mudança do padrão do amor, de um estado mais instintivo, ou imaturo, para um outro estado mais elevado, “divino”, onde se busca o sentido ou significado. Onde o Amor ganha o Status de Sabedoria. Por isso, Psique surge nessa fase do mito determinada, em busca do amor de Eros. A mudança provoca espontaneamente os processos alquímicos na alma, para essa nova reorganização provocada na sua estrutura, de seus conteúdos, modelos ou arquétipos.

No Mito de Eros Psique, depois que Psique ilumina a face de Eros,  ela vê que ele é um Deus, o mais belo de todos, Psique logo se apaixona perdidamente, e cai aos pés de Eros – essa entrega de Psique diante a imagem de Eros carrega algumas simbologias: A primeira, nessa rendição e entrega à imagem de Eros, que demonstra o poder que o arquétipo do amor tem sobre a Psique, ou seja, ela se torna presa diante a imagem ou o padrão do Amor. Outro é que, Psique se encontrava com Eros às escuras, ela já amava Eros antes mesmo de ver sua face, como sugere o mito, de que Psique adorava as noites ao lado de seu amado.  Isso já ilustra o princípio da fé, da resiliência por se casar e obedecer a quem ela pensava ser um monstro. E o que leva a Psique contrariar uma ordem de Eros foi o medo. Ela o amou sem ver sua face, sem o conhecimento, e por medo de que ele pudesse ser um monstro, ela ilumina sua face. Logo depois disso, Eros foge, e Psique sai pelo mundo em busca de Eros, desesperadamente. É quando encontra Afrodite, que já descobriu sobre o casamento de Eros com Psique, contrariando suas ordens, e então Afrodite determina as quatro tarefas para que Psique tenha o direito de rever seu amor.

Cada tarefa reflete etapas do processo na Alma, em sua transformação transpessoal em consequência do toque do amor e seu poder transformador.
Outra simbologia, Eros é um Deus menino, representado por um cupido, o que interpreta-se também como uma referência simbólica da mulher diante seu despertar ao amor materno, ou do desejo da maternidade. A relação de Afrodite e Eros também aparece como ela sendo mãe de Eros e também sua amante. A relação incestuosa também cria referências ao Complexo de Édipo, no qual baseou a teoria de Freud.

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