In concert

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Alquimia: a ciência da Imaginação

Todo desconhecido e vazio é preenchido com projeções psicológicas;  é como se o próprio fundamento psíquico do investigador se espelhasse na obscuridade. O que ele vê ou pensa ver na matéria são principalmente os dados do seu próprio inconsciente nelas projetados.” (Jung, 1990)

O vazio ou desconhecido que se refere o Jung, corresponde aos tubos de ensaio usados pelos alquimistas. Os conteúdos, ou as projeções psicológicas, as substâncias.
A Alquimia reflete a arte sob a luz do investigador, no caso o alquimista, que é o investigador de si mesmo em busca dos mistérios que envolvem a verdade escondida no mais profundo do ser, e que nos impele ao querer saber,  o desejo do Saber.
A alquimia é interpretação do conhecimento promovida pela imaginação, ou seja,  é a ciência da imaginação, que usa simbologias para os processos nos quais a mente passa, nas suas transformações, nos seus movimentos, interagindo formas (arquétipos, padrões, ideias e pensamentos), e conteúdos (energia, sentimentos, e conteúdos inconscientes).

AS simbologias que estão no universo da alquimia, como a pedra filosofal, o elixir da vida eterna, que eram a busca dos alquimistas, são representações de conquistas a serem alcançadas em um estado de iluminação, ou de sabedoria.  A conexão do ser individual, de si mesmo, com uma totalidade, com o Todo, ou a “divindade” do Eu. Há outros pontos simbólicos na alquimia, como a Grande Obra e a Tábua de Esmeralda, que se referem a sabedoria inerente ao conhecimento de si mesmo.

Sugestão de leitura complementar: Café com Jung

Revisitando o Mito de Eros e Psique

O Mito de Eros e Pique reflete o processo no qual o amor transcende do amor irracional, dos desejos instintivos, o mesmo da criança, para o amor Altruísta, o amor com o olhar para o outro, e não mais Narcisista. Ao mesmo tempo, por motivo dessa transformação do amor, a Psique, ou a Alma, entra também em um processo, o processo de Individuação, como chamou Carl Jung. Mas na verdade, é um processo de apuro, de refinamento da personalidade do eu, e isso acontece em virtude das transformações na energia da libido,  por mudança do padrão do amor, de um estado mais instintivo, ou imaturo, para um outro estado mais elevado, “divino”, onde se busca o sentido ou significado. Onde o Amor ganha o Status de Sabedoria. Por isso, Psique surge nessa fase do mito determinada, em busca do amor de Eros. A mudança provoca espontaneamente os processos alquímicos na alma, para essa nova reorganização provocada na sua estrutura, de seus conteúdos, modelos ou arquétipos.

No Mito de Eros Psique, depois que Psique ilumina a face de Eros,  ela vê que ele é um Deus, o mais belo de todos, Psique logo se apaixona perdidamente, e cai aos pés de Eros – essa entrega de Psique diante a imagem de Eros carrega algumas simbologias: A primeira, nessa rendição e entrega à imagem de Eros, que demonstra o poder que o arquétipo do amor tem sobre a Psique, ou seja, ela se torna presa diante a imagem ou o padrão do Amor. Outro é que, Psique se encontrava com Eros às escuras, ela já amava Eros antes mesmo de ver sua face, como sugere o mito, de que Psique adorava as noites ao lado de seu amado.  Isso já ilustra o princípio da fé, da resiliência por se casar e obedecer a quem ela pensava ser um monstro. E o que leva a Psique contrariar uma ordem de Eros foi o medo. Ela o amou sem ver sua face, sem o conhecimento, e por medo de que ele pudesse ser um monstro, ela ilumina sua face. Logo depois disso, Eros foge, e Psique sai pelo mundo em busca de Eros, desesperadamente. É quando encontra Afrodite, que já descobriu sobre o casamento de Eros com Psique, contrariando suas ordens, e então Afrodite determina as quatro tarefas para que Psique tenha o direito de rever seu amor.

Cada tarefa reflete etapas do processo na Alma, em sua transformação transpessoal em consequência do toque do amor e seu poder transformador.
Outra simbologia, Eros é um Deus menino, representado por um cupido, o que interpreta-se também como uma referência simbólica da mulher diante seu despertar ao amor materno, ou do desejo da maternidade. A relação de Afrodite e Eros também aparece como ela sendo mãe de Eros e também sua amante. A relação incestuosa também cria referências ao Complexo de Édipo, no qual baseou a teoria de Freud.

A fagulha para a Razão

A Razão é a força que se desenvolve a partir do desejo, como se este em reação a química ao amor, produzisse a Razão de forma espontânea. O elemento fogo, se mistura ao elemento água e resulta no elemento Ar, assim, como uma alquimia. Entendo o desejo como um nível primário, mais baixo, ou mais primitivo da nossa energia, que pode ser chamada de libido. Portanto, a racionalidade surge a partir do momento que o pensamento do amor insufla, no então, ser humano, o despertar para o significado, dando início ao processo criador da Razão. O desejo deixa de ser uma força aleatória e instintiva, e passa a ganhar outra vibração, outro nível de frequência, o da Razão, em virtude do instante de amor, que desperta o desejo de dar significação ou significância às coisas. Esse processo poderia ter tido início, por exemplo, no primeiro olhar de um primata ao seu filhote, e vendo-se nele, sentiu então o amor pela primeira vez. Como na mitologia grega, no mito de Narciso, ou seja, pelo poder do espelho, e de ver o próprio reflexo. Dessa forma despertou-se o “olhar”, uma nova forma, dando outro sentido a energia, ou alterando a energia, que antes era puramente instintiva, e aquele olhar de identificação, de compreensão, e projeção, cria um novo padrão na mente, o padrão primordial do amor, que passa então a influenciar no sentido da energia da libido na mente, que antes  era vontade,  e passa então a se formalizar na razão.  Pelo desejo de proteger o seu filhote, onde ele ver a si mesmo, e por ver a si mesmo, entra em ação o instinto de sobrevivência em favor do outro, por ver no outro a si próprio. E esse novo olhar, com busca de significância, passa então a ser usado para observar todas as imagens, e o que  via em sua volta, dando significados, e daí iniciou-se a evolução do pensamento de fato. Nós não somos a evolução do macaco fisicamente, por isso  não vemos macacos evoluindo para humanos. Mas na verdade, a energia no “invisível”, do inconsciente, do tempo, na memória, ou no reino das imagens mentais, ou dos padrões do inconsciente coletivo, etc…   se refletem e criam a realidade, por reflexão e/ou projeção da energia, gerando a matéria, a forma e o seu conteúdo, que experimentamos e apreciamos em toda a natureza. Todo o universo e as relações, e semelhanças,  que vamos percebendo,  associando, inclusive padrões primordiais,  pre-existentes a  nossa mente, nos quais fazemos referências sempre para compreender o mundo em volta. Neste campo da energia, onde atuam os padrões, e que podemos chamar de “formas perfeitas” do mundo das ideias, como pensou Platão, ou podemos chamar de Arquétipos como batizou Carl Jung, se referindo às formas simbólicas do inconsciente coletivo, as imagens são como hologramas, de energia , carregados  positivamente ou negativamente. E por isso a percepção, mesmo que inconsciente desses padrões, nos causam sensações boas ou ruins, assim como estes padrões podem nos sugerir escolhas, caminhos a seguir, com base no que já sabemos, em virtude desses arquétipos que existem desde sempre, e isso é o que chamamos de intuição, uma percepção de algo que já se sabe, mas na verdade, é o reconhecimento inconsciente destes padrões.

Platão e os Padrões

Platão não teve ideias românticas, ele teve ideias sobre a lógica. Quando ele fala do amor, ele se refere não ao Amor sentimento. Platão se refere ao amor enquanto ideia. Assim compreendo: O Amor é um complexo de ideias, crenças e pensamentos, que produz energia e movimento; é  o arquétipo central no indivíduo,  que sustenta toda a estrutura do seu ser. Quando Platão descreve sua teoria a respeito do Andrógino, e das almas gêmeas, por exemplo, ele não se refere necessariamente a casais apaixonados e homossexuais, Platão denominou modelos arquetípicos que representam padrões na manifestação da dualidade e da Unidade. Todo seu pensamento é lógico, e sobre a razão, e reflete a sua compreensão da totalidade.
O amor é apenas uma ideia, um complexo, formado por um conjunto de crenças e pensamentos, que gera uma energia, com vibração e frequência. Isto é, quando observamos uma mãe com seu filho, por exemplo, sua respiração muda, sua frequência cardíaca, o som e o tom da voz, enfim, todos os sinais que se movimentam nessa mãe, refletem uma energia, irradiando entre a mãe e seu filho, que obedecem a um padrão, um valor, e intensidade de energia. Dessa forma, se abstrairmos da visão romântica do amor, e imaginarmos essa mãe como uma molécula ou um neurônio, vamos perceber o amor como uma energia, talvez uma sinapse, e se observarmos com mais profundeza, veremos que essa energia é quem carrega memória. É o amor que temos  que carrega e processa a  nossa percepção do Tempo. Traumas ficam guardados em nosso inconsciente,  eles são ferimentos no amor que vamos edificando. Não existe o amor romântico, o amor é apenas uma ideia que criamos, e que refletimos, em nossa volta.
O que chamamos de amor, é uma tendência de fusão entre dois corpos celestes. Duas moléculas que se atraem pela força de atração, assim como a gravidade atrai os corpos, somos exatamente a mesma coisa, mas a diferença é que precisamos dar significado a tudo que percebemos, é um mecanismo de defesa da nossa mente, dar significados para compreender o mundo em sua volta, e assim sobreviver.
As energias se atraem outras se repelem, e vão alterando nossa vibração, vamos refletindo entre os espelhos, e a  reflexão dessa nossa energia, se propaga a uma grande distância, a medida que vamos afetando tudo em nossa volta, afetando a realidade, e isso vai provocando efeitos à causa de nossas ações ou movimentos, que se dão pela energia do amor em nós.  O alcance dessa energia influencia na realidade que vivenciamos, cria a sincronicidade entre nós e o universo, e cria nosso destino, etc. É a vibração dessa energia que provoca o que podemos entender como efeito borboleta.
Então, não podemos ignorar o pensamento platônico, porque a essência do seu pensamento é a compreensão do universo, e muito além de uma visão romântica sobre o amor.  Nada a ver com o amor idealizado, como pensam muitos, esta é uma compreensão superficial do pensamento platônico. Na verdade, Platão define o mundo das ideias, das formas perfeitas, ou seja, dos padrões. E compreendendo esse mecanismo dos padrões, dos modelos ou arquétipos, nos leva a uma compreensão ainda maior a respeito da verdade sobre o mundo que vivemos, do micro ao macrocosmo.

Um Parêntese sobre a Teoria de tudo

Não existe segredo para desvendar a Teoria de tudo: Sempre o amor terá todas as respostas.  Somente o amor nos dar a noção de tempo. Se observarmos o amor como um conteúdo de energia, que registra memória, e sendo a memória uma unidade de tempo, por esta medida, poderíamos utilizar todas as leis da física ou da química. Não existe segredo que não se revele através do amor. Da via láctea ao nosso pensamento, tudo se explica com o Amor. Mas não confundam aqui amor com desejo, mas se confundirem, desejo também é energia. E tudo isso é Libido.
A ciência é absolutamente retardatária quando vem explicar como as coisas são, porém muito mais eficiente quando é para quantificar, medir ou calcular a natureza das coisas. A mitologia e a filosofia já revelam há muito tempo o que a ciência tenta provar. Tudo já está dito, tudo já se é sabido, não é da ciência o mérito da descoberta, nem de ninguém.
Num processo de conhecer a si mesmo, por exemplo, mergulhamos no conhecimento, e a medida que levamos luz sobre certos lugares ou partes de nós mesmo, identificamos também as nossas semelhanças com tudo que interagimos e o que está em nossa volta. São como nossos espelhos. E em cada reflexão mais profunda, a luz vai tocando nestes espelhos, e eles entre si, de forma que a luz se expande em outras direções, e revela cada vez mais sobre tudo. É assim que as coisas são e como são, o amor sempre sabe de tudo. Essa é a verdadeira sabedoria, o conhecimento experimentado e vivenciado. A Teoria das cordas, por exemplo, é perfeitamente observável numa cadeia de DNA. Um par de nucleotídeos, a dualidade na natureza, e tantas outras teorias que surgem e podem ser perfeitamente observáveis nas suas infinitas possibilidades de expressão.