Artifícios da Memória

Ao mudar o espaço onde se reflete a realidade, todas as referência do ego sobre si mesmo também se alteram. Ainda que permaneça a consciência de que se é alguma coisa, não se tem mais a classificação do que é ser alguma coisa. A noção que se tem é de que estamos ali presentes. Apenas se está, mas não mais se sabe o significado do que é. A memória é quem cria a realidade por uma concatenação de imagens daquilo que nos assegura semelhança aos objetos e arquétipos. Numa outra esfera de realidade, onde o ego não mais se prende ao que está estabelecido como sendo realidade, tudo se torna nós mesmos, e tudo sendo nós mesmos, apenas somos uma presença desperta dentro do conteúdo que somos, sem qualquer interferência racional que nos defina aquilo que somos.

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Sobre os sonhos…

Os sonhos acontecem independente de quais sejam as nossas crenças. É de fato inerente ao ser humano. É um “desdobramento” de suas crenças dentro do complexo de édipo. Ou o contrário. As imagens produzidas pelos sonhos, assim como os símbolos, são produções espontâneas quando os complexos desdobram partes do seu conteúdo em fusão com suas crenças.  A imaginação é apenas o ato ou efeito de criar imagens. É só o processo. E este processo acontece quando conteúdos de sentimentos  presos nos complexos, e sensações atritam idéias fixas ou das crenças de um indivíduo. Os sonhos nos afetam pelo simples fato de que eles, contendo conteúdos de nossos sentimentos, transformam nossa sensibilidade, e assim também, nossa percepção. Os sonhos não são algo de necessidade do corpo, mas um mecanismo natural e equivalente ao que acontece quando estamos despertos, o sono sim, é uma necessidade do corpo.  Mas os sonhos são apenas uma repetição do processo num espaço mais profundo, onde nossa consciência não pode atuar, mas somente fornecer imagens ao inconsciente. Estas imagens captadas pelos nossos sentidos conscientes, são concatenadas  com os simbolos inconscientes produzindo a imaginação. E tudo é estimulado pelos mesmos sentimentos, desejos, e impulsos que nos acomete num estado de vigília. É como se as imagens despertassem uma memória simbólica. O elemento madeira, da filosofia taoísta, é similar ao que representa as nossas crenças. As crenças estruturam nossa árvore, e ela determina o universo simbólico que nos envolve. Nesse espaço simbólico não conseguimos alcançar por vontade, apenas o tempo pode estimular seu movimento, pois o tempo reflete o nosso grau de lucidez. Enquanto que os nossos sentimentos e pulsos de vontade só conseguem estimular as imagens.

Sonhos e a Imaginação Ativa

O Tempo é  inconsciente. O espaço é a consciência. O Tempo é a forma, a consciência o conteúdo. Os arquétipos são formas no inconsciente coletivo que são preenchidos pela nossa consciência, e a consciência se cria num todo a partir desses conteúdos, sendo ela comandada pelo Ego em seu centro.  Este espaço consciente, a consciência, se forma a partir do amor consciente, pois esta consciência que adiquirimos sobre o amor é que nos faz unir ao Todo, ao mesmo tempo que nos individualiza numa verdade única, num indivíduo singular. A medida que preenchemos estas formas, os arquétipos, com nosso conteúdo consciente, damos a ele vida própria. Dando vida aos arquétipos podemos enxergá-lo de forma consciente, ou seja, trazer a consciência um conteúdo inconsciente.
A imaginação Ativa nos permite dar forma, cria um espaço onde  preencher um  conteúdo inconsciente, por isso ela permite que se tome consciência desse conteúdo, a medida que você passa a enxergá-lo dentro de um corpo. O conteúdo, o vazio, nosso caos interior preenche estes arquétipos. E assim, damos corpo aos nossos muitos em nossa psique, até ao ponto onde podemos ver conscientemente quem somos, diferenciando dos outros aspectos, persona, sombra,  animus e anima, até se chegar a si mesmo.
A imaginação é o ato de criar imagens,  são as imagens que projetamos de nosso inconsciente dando formas a elas.
No inconsciente individual as imagens tomam formas que é possível  identifcar-se com elas ou não, possibilitando o indivíduo de separar os grãos, separar o que é dele ou de outro (pai, mãe…). Como também a sua própria compreensão do amor formado em sua consciência, recebido desde sua infância. É no inconsciente individual que descobre-se os conteúdos reprimidos, as formas rígidas que impossibilitam o indivíduo de sentir o amor em si mesmo.
A alquimia é uma projeção dos conteúdos inconscientes em formas,  que retrata o processo de individuação. Assim como cada um de nós elaboramos em nós mesmos esta alquimia quando utilizamos a nossa imaginação Ativa.  A imaginação Ativa é tão importante quanto são os sonhos para um processo de individuação, a medida que em ambos existem a produção de formas para o conteúdo inconsciente. Porém, os sonhos são ainda mais essenciais na sua tradução, pois são produzidos de forma mais espontânea. Mas isso depende de cada indivíduo, quanto mais conteúdos reprimidos  tiver em seu inconsciente individual, menor é sua capacidade de imaginar espontaneamente,  por um bloqueio em sua força criativa. O princípio criativo é uma energia do amor, de movimento, por isso um amor consciente afetado pelos conteúdos reprimidos, bloqueia seu potencial criativo.  A libido tende a distorcer o seu estímulo ao movimento como um desejo sexual. Dessa forma, o indivíduo reduz seu potencial criativo, e sua capacidade de pensar sobre as idéias. Ou sua capacidade de produzir imagens.
Os sonhos não são apenas uma forma de satisfazer conteúdos reprimidos, eles são a manifestação inconsciente no indivíduo naquilo  que é sua busca interior, do seu desejo de trazer à consciência. Assim como o desejo sexual, o desejo de movimento em seu processo de individuação reprimidos levam o incosnciente a produzir sonhos que tragam à sua consciência conteúdos que revelem a si mesmo.
A libido ao ser estimulada pelo amor produz o desejo, a vontade, que pode ser sexual, ou apenas o desejo de mover-se em direção aquilo que se ama em si mesmo, ou aquilo que trará uma satisfação na sua totalidade. Reprimir os desejos, tanto sexual, quanto este desejo ao movimento, produzirá sempre no inconsciente individual, formas rígidas que limitam o potencial criativo do ser humano e com isso a sua consciência sobre o Amor, reduzindo sua capacidade de conhecer e enxergar a si mesmo.

O Segredo da maçã

A maçã é uma imagem simbólica em várias culturas, inclusive a cristã, como consta no conto bíblico de Adão e Eva.
O significado simbólico do fruto proibido, que expulsou Adão e Eva do paraíso, o pecado original, é  a libido.
A  libido é quem guarda o segredo da vida eterna. O Tempo é inconsciente, e nossa libido é que nos faz mover no tempo, pela força dos instintos, a nos despertar a consciência até a verdade, sobre nós mesmos e sobre tudo.
A libido que nos desperta os desejos, os  instintos, é a mesma que nos devora no Tempo. Pois é nela própria que guarda a noção de Tempo e espaço. Pois o espaço, nossa consciência, se forma a partir do nosso movimento, guiado pelos nossos instintos.

O que acontece é uma inversão de espelho de um lado o movimento do Tempo é sincrônico, é como a natureza se move, do outro lado,  o espaço reflete nosso caos por um movimento desordenado de desejos do ego, sexuais ou não, fazendo com que a gente não acorde a consciência para a verdade que está dentro de nós, porque o Tempo sempre está no mesmo ponto,  parado, se movimentando de forma sistemática ou sincrônica,  em círculo, em si mesmo.

A libido esconde as duas faces de Eros, as duas faces do Amor, o Amor divino, e o amor erótico, do desejo. O primeiro nos leva a observar o Tempo,  a sincronicidade, o  movimento da natureza, de dentro pra fora. O segundo nos leva a um movimento cego no espaço, sem sincronia, e em ambos os movimentos, ambos os caminhos, sempre será para o mesmo destino, o conhecimento da verdade, do Uno, e do Tao. Ou chegamos a esta verdade correndo por fora, ou correndo por dentro, mas  esse sempre será o caminho e o destino de cada um e de toda consciência,  no Tempo e no espaço.

A verdade é que o Uno pode ter a imagem do átomo, a imagem do cosmos, a imagem da psique, a imagem de Deus.  Seja qual for a visão da verdade, a compreensão dela sempre será a mesma,  dita de formas diferentes, por consciências diferentes no Tempo.

O Tempo e o espaço: Inconsciente e Consciência

O Tempo é uma massa negra e inconsciente. Nós na verdade estamos sempre dormindo,  e a medida que vamos despertando a consciência sobre o Tempo, sobre nosso inconsciente, vamos acordando no espaço, e expandindo a nossa consciência.
A realidade é que todos nós estamos parados no mesmo lugar, somos como estrelas  sincronizando luzes no tempo e formando uma certa consciência, que nos dá uma alma, uma psique,  e que nos dá a idéia, ou imagem de espaço. Espaço que se forma com a minha consciência e dos outros semelhantes a mim, que no cruzamento, ou sincronicidade dessas luzes, os pensamentos e sentimentos, as energias,  formamos a realidade.
Despertamos a consciência no Tempo porque este é o nosso caminho, o caminho de nossas almas, despertar a consciência até a verdade do Uno, do espírito. Esse é o caminho do meio.  Estamos sempre parados no mesmo lugar, despertando a conciência, para caminhar o nosso caminho até a verdade.
O Tempo, o inconsciente, nos leva a verdade dentro de nós próprios, e a consciência que ganhamos sobre o espaço de nós mesmos,  desperta a verdade sobre o Uno.
Por isso,  como nos contos de Fada, o Amor, o príncipe,  desperta a cinderela, a bela adormecida,  Eros desperta Psique de um sono profundo,  é o nosso inconsciente que desperta, e acorda na consciência.
Nós estamos todos dormindo,  sonhando nosso próprio sonho, que somos nós mesmos. A realidade ainda é a mesma desde o início do universo, a mesma massa negra do caos, e o Tempo ainda devora seus filhos.

O inconsciente coletivo

O inconsciente coletivo é a região da psique que guarda nossa memória mais arcaica. Diferente do inconsciente pessoal, que guarda memórias desde o nascimento da  criança, ou desde sua formação no útero materno. O inconsciente coletivo está presente em qualquer indivíduo que nasce, porém ele só pode ser despertado pelo pensamento e/ou pela imaginação.  Por isso existe o mundo das idéias denominado por Platão. A imaginação ativa leva a uma viagem por dentro de nós próprios, na descoberta de si mesmo, em conexão com todo o espaço, até onde a vista for capaz de alcançar, e quanto mais se mistura sua energia ao espaço, a energia do amor igual, incorporando todo o universo à natureza de si  mesmo , do outro,  mais se ganha  sincronicidade de idéias no tempo inconsciente, tornando o movimento pela vontade e o movimento em direção a luz da verdade,  que nos revela nossa própria verdade.

O inconsciente coletivo é o mundo das  idéias criado por Platão, o mundo onde o pensamento cria a realidade que se vê. Duas almas gêmeas, como é o conceito de Platão e do amor platônico, precisam estar sincrônicas no pensamento, pois pensamentos sincrônicos criam a realidade que se vê,  tornam a criação a própria idéia que se vive, um sonho.

Einstein, Eros e Psique

A Teoria da relatividade de Einstein sintetiza-se na equação E=mc², em nível espiritual e psíquico,  poderíamos ter o  amor, a energia da luz.  Quanto maior energia, mais amor no espaço, ou seja,  maior a consciência, no tempo. A massa  é o ego, o peso. A expansão de consciência nos leva a uma “calibragem” dos sentidos.  A luz, a verdade.  Portanto na equação da relatividade o amor é a energia, a massa, o ego, e c ² que é a velocidade,  o grau ou a vibração da psique, da alma. Quanto preso as coisas do ego, mais se aumenta a massa, o peso, que atrai o carma de cada um e torna a velocidade lenta, quanto mais o amor, mais amor no tempo, energia sobre os padrões, gerando a sincronicidade,   criando a velocidade que segue a intuição.